Na quinta-feira (6/08), os Estados Unidos anunciaram tarifa e preço mínimo pra polissilício e derivados usados no painel solar. A medida se soma a uma alta que já é realidade: o equipamento chinês subiu até 40% neste ano. Entenda o que isso muda pra quem vai investir no Sul de SC.
O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (6 de agosto de 2026) uma tarifa de 15% e um conjunto de preços mínimos de importação para polissilício e seus derivados — matéria-prima usada na fabricação de painel solar. A medida entra em vigor em 4 de dezembro de 2026 e se soma a um movimento que já é realidade no mercado: o painel solar chinês, principal origem do equipamento usado no Brasil, já ficou até 40% mais caro neste ano.
/ A tarifa americana, em números
A ação dos EUA foi baseada na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, que permite ao presidente restringir comércio por motivo de segurança nacional. Os preços mínimos de importação estabelecidos são: polissilício a US$ 21 por quilograma, lingotes e wafers a US$ 100 por quilograma, células solares a US$ 0,22 por watt e módulos solares a US$ 0,38 por watt — além de um direito de 15% sobre os derivados de polissilício. Empresas que aprovarem planos de construção de fábrica nos Estados Unidos até 20 de janeiro de 2029 podem pedir isenção da tarifa.
/ O painel chinês já ficou mais caro
Enquanto os EUA fecham a porta pro polissilício importado, o preço do painel chinês já subiu neste ano: comparando fevereiro de 2026 com o fim de 2025, o aumento chegou a 40%. Parte disso vem da retirada gradual da desoneração fiscal que a China dava à exportação de produtos fotovoltaicos — o incentivo de 9% já caiu para 6% e a expectativa é de que zere até dezembro de 2026. A China chegou a montar uma capacidade de fabricação de 1.000 GW de painel solar por ano, muito acima da demanda global, o que gerou uma guerra de preços nos últimos anos — guerra que a retirada do incentivo fiscal agora está revertendo.
/ O que isso significa pra quem vai investir no Sul de SC
O cenário é ambíguo, mas os dois lados apontam pra uma direção prática. De um lado, a tarifa americana torna os Estados Unidos um destino menos atrativo pro painel chinês, o que pode empurrar fabricantes a disputar com mais força mercados como o Brasil — potencialmente segurando um pouco a alta por aqui. Do outro lado, o preço na origem, na China, já subiu de verdade, independente do que os EUA fizerem, e a tendência é de continuar subindo enquanto o incentivo fiscal chinês zera ao longo do ano.
Na prática, pra quem está com um projeto solar em andamento ou negociando orçamento agora, o sinal é claro: o momento de fechar preço com o fornecedor tende a ser mais vantajoso agora do que daqui a alguns meses, com o cenário internacional se movendo em direção a um equipamento mais caro, não mais barato.
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Fonte: Canary Media, "Trump launched big new solar tariffs" (agosto de 2026); Canal Solar, "Preço dos painéis solares pode ter aumento de até 30% em 2026" (2026).