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Solar no telhado passou todas as termelétricas do Brasil — e o setor já pede freio na Aneel

07 de outubro de 2026por Lumie SolarBrasil, Sul de Santa Catarina

A geração distribuída solar chegou a 53,65 GW e superou os 49,89 GW de todas as termelétricas do país, segundo dados da Aneel de 3 de outubro. No mesmo mês, associações de geradores pediram regras mais duras e a agência abriu consulta sobre controle remoto de usinas. Veja o que muda — e o que não muda — pra quem tem solar no Sul de SC.

Em 3 de outubro de 2026, os dados da Aneel marcaram um ponto de virada no sistema elétrico brasileiro: a geração distribuída solar — telhados de casas, comércios, galpões e lavouras — alcançou 53,65 GW de potência instalada, superando os 49,89 GW de todas as termelétricas em operação no país. Somando todas as fontes de geração distribuída, o registro da agência chega a 53,97 GW, cerca de 8% acima do parque térmico. São 4.656.839 empreendimentos cadastrados, dos quais 4.655.916 são fotovoltaicos: 99,4% do total.

Para quem tem ou está pensando em instalar energia solar no Sul de Santa Catarina, a manchete é boa — e vem acompanhada de um recado menos confortável. Junto com o marco, cresceu a pressão de outros agentes do setor elétrico para que a Aneel aperte as regras da geração distribuída.

/ O setor elétrico cobrou freio em setembro

Em 30 de setembro, a Apine (associação dos produtores independentes de energia), junto com outras associações de geradores, protocolou uma manifestação pedindo resposta regulatória ao ritmo de avanço da micro e minigeração distribuída, a MMGD.

O argumento central é o descompasso entre duas curvas. A MMGD saiu de 1,3 MW em 2012 para 47,85 GW no fim de 2025 e passou dos 50 GW em julho de 2026 — crescimento médio de 122,8% ao ano. No mesmo período, a carga do Sistema Interligado Nacional subiu de 58,24 GWmed para 81,42 GWmed, uma média de 2,6% ao ano. Ou seja: a geração nos telhados cresce muito mais rápido do que a capacidade da rede de absorver essa energia.

Entre as medidas pedidas à agência estão mais transparência sobre os cortes de geração, avanço da sinalização tarifária por horário, conclusão da metodologia que valora custos e benefícios da MMGD, critérios mais duros para novas conexões e a avaliação de mecanismos para limitar os subsídios da geração distribuída bancados pela CDE, a Conta de Desenvolvimento Energético.

/ O "gato solar" entrou na conta

Um ponto do documento merece atenção de quem já tem sistema instalado: as ampliações irregulares, chamadas no texto de "gato solar". A estimativa apresentada é de 11,8 a 14,6 GW de capacidade irregular, algo perto de 30% de toda a MMGD do país. Entre as unidades efetivamente fiscalizadas, 59% apresentaram algum tipo de irregularidade.

Na prática, isso é um aviso: ampliar o sistema por fora — acrescentar módulos além da potência homologada, sem comunicar a distribuidora — virou alvo prioritário de fiscalização. Se você aumentou o consumo, comprou um carro elétrico ou instalou ar-condicionado novo e quer gerar mais, o caminho é refazer o processo de homologação. Economizar essa etapa agora é assumir risco de autuação e de perder a compensação depois.

/ A Aneel já abriu a consulta sobre controle remoto

Em 10 de setembro, a agência abriu a Consulta Pública 033/2026, que propõe alterar o Módulo 3 do Prodist e criar a figura dos REDs, os Recursos Energéticos Distribuídos. A ideia é montar uma infraestrutura permanente de comunicação entre distribuidoras e geradores — com protocolo padronizado e equipamento capaz de receber comandos remotos —, e não apenas um mecanismo de emergência.

O alcance proposto é de cerca de 70 mil instalações, somando 33 GW, o equivalente a 61% da capacidade de geração distribuída instalada no Brasil. Dentro desse grupo estão aproximadamente 1.500 usinas do Tipo III e cerca de 68 mil unidades de minigeração acima de 75 kWp. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, resumiu a motivação: não é possível manter um recurso de geração relevante que, ao mesmo tempo, não é observável pelo operador e não pode ser controlado.

A microgeração residencial não está incluída nesta fase inicial. As contribuições à consulta vão até 9 de novembro de 2026.

/ O que isso muda pra você, aqui no Sul de SC

  • Casa e pequeno comércio (até 75 kWp): nada muda agora. A CP033 não alcança a microgeração residencial nesta etapa, e a resolução de cortes de geração aprovada pela Aneel no começo de outubro trata das usinas de grande porte, sem alterar a compensação da micro e minigeração.
  • Empresa, indústria e agro com minigeração acima de 75 kWp: vale acompanhar a consulta e já considerar, em projetos novos, inversores e comunicação compatíveis com telemetria e comando remoto. É mais barato prever isso no projeto do que adaptar depois.
  • Quem ainda está decidindo: o debate em curso é sobre endurecer regras para conexões futuras, não sobre quem já está homologado. Antecipar o projeto é a forma mais simples de entrar pelas regras de hoje, que já são conhecidas e calculáveis.

O recado dos 53,65 GW é duplo: a energia solar nos telhados deixou de ser nicho e virou peça central da matriz brasileira — e, justamente por isso, vai ser regulada com mais rigor daqui pra frente.

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