O fim do reembolso de imposto na exportação chinesa, somado à alta da prata e do polissilício, já empurrou os preços dos painéis solares entre 10% e 15% desde dezembro — e o mercado projeta mais alta pela frente.
Os preços dos equipamentos fotovoltaicos no Brasil já subiram entre 10% e 15% desde o fim de dezembro de 2025, e o mercado projeta um acumulado de 25% a 30% de alta ao longo de 2026. O motivo principal não está aqui: está na China, que fabrica a maior parte dos painéis instalados no país.
/ O gatilho: China cortou o subsídio à exportação
Desde 1º de abril de 2026, a China eliminou por completo o reembolso de imposto (uma espécie de desconto fiscal, o "VAT rebate") que concedia às fábricas que exportam painéis solares, células, inversores e outros componentes fotovoltaicos. Esse benefício já vinha caindo — de 13% para 9% em dezembro de 2024 — até zerar de vez neste ano.
Na prática, isso encarece o que sai das fábricas chinesas rumo ao resto do mundo, incluindo o Brasil, que importa a maior parte dos módulos usados aqui. Analistas do setor projetam mais um repasse de cerca de 9% no preço final só por causa dessa mudança tributária.
/ Não é só a China: as matérias-primas também pesaram
Some-se a isso um ciclo de alta nas commodities usadas na fabricação dos painéis: a prata bateu recorde histórico de preço, o alumínio disparou e o polissilício (a base das células fotovoltaicas) acumulou alta de cerca de 50% em 2025. A China também reduziu a própria capacidade produtiva, desligando linhas de fábrica mais antigas — o que reduz oferta e pressiona preço pra cima.
O resultado combinado: o primeiro reajuste, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, já veio de 10% a 15%. E as projeções de mercado apontam um acumulado de 25% a 30% de alta ao longo do ano — ainda que, vale o contexto, os preços atuais sigam bem abaixo do pico de 2022 (uma queda acumulada de cerca de 65% desde janeiro de 2023 até aqui).
/ O que isso muda pra quem está no Sul de Santa Catarina
Pra quem já tem sistema solar instalado, a notícia é neutra: o equipamento já está comprado e pago, e continua gerando pelos mesmos 25 anos de garantia de sempre. O impacto é pra quem ainda está decidindo.
Cada rodada de reajuste dos fabricantes chineses chega ao orçamento de quem cotar um sistema novo no Sul do estado com alguma defasagem — geralmente de semanas, não meses. Ou seja: quem está com uma cotação parada na gaveta esperando "o momento certo" pode estar, sem perceber, esperando o preço subir.
Do lado local, Santa Catarina segue no radar do setor: a Secretaria de Meio Ambiente e Economia Verde (Semae) e a Fiesc firmaram um acordo de cooperação técnica com o Senai, com o Plano de Transição Energética Justa do estado já em 60% de execução (investimento de R$ 3,5 milhões, com a FGV como responsável técnica). O tema solar volta a ser destaque em outubro, na FAEX Energy 2026, em Xanxerê, um dos principais eventos de energia renovável do Sul do país.
/ O que fazer com essa informação
Não dá pra controlar o câmbio, o preço da prata ou a política tributária chinesa. Dá, sim, pra travar o preço de hoje antes da próxima rodada de reajuste — e é isso que muda o cálculo de quem está decidindo entre esperar mais um pouco ou fechar agora.