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Fabricantes chineses tentaram impor um preço mínimo pro painel solar — e o mercado ignorou

24 de outubro de 2026por Lumie SolarChina, Brasil, Sul de Santa Catarina

Os oito maiores produtores de polissilício da China combinaram um piso de preço cerca de 10% acima do mercado — e o preço não subiu. Enquanto isso, o módulo importado pelo Brasil ficou 12,9% mais caro, e a causa não está na China.

Em 11 de outubro, em Hangzhou, os oito maiores fabricantes de polissilício da China se reuniram e combinaram um piso de preço: CNY 43 por quilo de polissilício e CNY 0,79 por watt no módulo TOPCon — algo em torno de US$ 0,118 por watt na exportação. Nove dias depois, em 20 de outubro, o preço de referência do módulo TOPCon chinês para exportação estava em US$ 0,107 por watt (FOB China), segundo o relatório Global Solar Markets da OPIS. Segunda semana seguida parado no mesmo lugar.

Traduzindo: o acordo pediu cerca de 10% acima do que o mercado está pagando, e o mercado não pagou.

/ A curva pra frente é o detalhe que importa

Se fosse só uma teimosia de duas semanas, não diria muita coisa. O problema pros fabricantes é o que os contratos futuros estão apontando: US$ 0,106/W no primeiro trimestre de 2027 e US$ 0,105/W do segundo ao quarto trimestre de 2027.

Leia de novo: a curva não sobe. Ela desce de leve. Quem compra módulo chinês está fechando preço pro ano que vem abaixo do preço de hoje — o oposto do que o acordo de Hangzhou tentou combinar.

O motivo está no estoque. O polissilício acumulado na China segue acima de 560 mil toneladas, mesmo com a produção de outubro caindo cerca de 20 mil toneladas no mês. Com esse tanto de material parado e demanda fraca na ponta, combinar preço mínimo não resolve: o acordo é de autodisciplina do setor, não tem força de lei, e ninguém é obrigado a cumprir. Vale lembrar que a própria associação da indústria fotovoltaica chinesa estimava, em outubro de 2024, um custo de produção de referência de CNY 0,68/W. Ainda há folga entre o custo e o preço de hoje — e é nessa folga que o acordo derrete.

/ No Brasil, o painel ficou 12,9% mais caro. E não foi a fábrica.

Aqui está a parte que interessa a quem vai instalar. Enquanto o preço na porta da fábrica chinesa fica de lado, o painel que chega ao Brasil ficou mais caro.

Dados da consultoria Greener: o preço médio ponderado do módulo importado passou de US$ 0,0802 por watt-pico no primeiro semestre de 2025 para US$ 0,0906 no primeiro semestre de 2026 — alta de 12,9%. Em maio de 2026 bateu US$ 0,1042/Wp, 29% acima de janeiro.

E não foi por excesso de procura. No mesmo período, o Brasil nacionalizou 5,48 GWp em módulos, queda de 48% frente aos 10,57 GWp do primeiro semestre de 2025. Em valor, o equipamento saiu de R$ 30,4 bilhões para R$ 14,6 bilhões. Menos volume, preço maior — o contrário do que a lei da oferta e da procura sugeriria.

A explicação não está na China. Está no caminho entre a fábrica e o seu telhado. A Resolução Gecex nº 666 elevou o imposto de importação do módulo fotovoltaico de 9,6% para 25%, com cotas de isenção decrescentes até 2027. Some a isso frete, seguro, câmbio e a margem de cada elo da cadeia: é esse empilhamento, e não o preço do fabricante, que está carregando a alta.

Um detalhe revela quem sustenta o mercado hoje: a geração distribuída respondeu por 92% dos módulos importados no primeiro semestre de 2026, contra 78% um ano antes. Telhado de casa, comércio e pequena indústria viraram praticamente a demanda inteira do país.

/ O que isso muda pro seu telhado no Sul de SC

Já escrevemos aqui que o painel tende a ficar mais caro, não mais barato. Esse número de outubro refina a frase, e vale a correção: a alta não vem mais da fábrica chinesa — vem de dentro do Brasil.

Na prática, isso muda a decisão de três formas:

Esperar o painel chinês baratear deixou de ser estratégia. A diferença entre os US$ 0,107/W de hoje e os US$ 0,105/W projetados para 2027 é de cerca de 2% — sobre um componente que é só uma fatia do orçamento. Esperar um ano por 2% de desconto em uma parte do sistema, enquanto você segue pagando conta de luz cheia, é um péssimo negócio.

O que mexe no seu orçamento é local. Imposto de importação, câmbio e o degrau anual do Fio B pesam muito mais no seu payback do que a tabela de Hangzhou. E esses, ao contrário do preço do módulo, estão em rota de alta.

Preço de equipamento estável é uma boa janela. Com o módulo de lado e a curva futura sem susto, o que define se o seu projeto fecha bem agora é dimensionamento e as regras vigentes — não a aposta de que algo vai cair lá fora.

Se um orçamento te prometer desconto grande "quando o painel chinês cair", desconfie: a conta de hoje mostra que esse desconto não está vindo.

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