Painéis chineses subiram 40% entre o fim de 2025 e fevereiro de 2026, e os EUA acabam de anunciar novas tarifas sobre a cadeia solar. Entenda por que o "queridinho barato" da China está ficando mais caro no mundo todo e o que isso significa pra quem pensa em instalar no Sul de SC.
/ Painel chinês não é mais sinônimo de barato
Por mais de uma década, o mercado solar mundial se acostumou com uma lógica simples: a China produz painéis fotovoltaicos baratos e o resto do mundo compra. Essa lógica está rachando. Segundo levantamento do setor, os painéis fotovoltaicos vindos da China subiram 40% comparando o preço de fevereiro de 2026 com o cobrado no final de 2025.
No Brasil, a alíquota de importação de células fotovoltaicas montadas em módulos está em 25% desde novembro de 2024, sem previsão oficial de redução — e o governo federal já sinalizou elevação de impostos sobre equipamentos importados, incluindo painéis solares, podendo chegar a até 35% em 2026, dentro do fim gradual dos incentivos que vigoravam desde 2015.
/ O paradoxo chinês: excesso de fábrica, preço em alta
Parece contraditório, mas explica o movimento. A capacidade de fabricação solar da China chegou a cerca de 1.200 GW em 2025 — quase o dobro da demanda mundial. O resultado foi uma guerra de preços tão severa que a receita média por watt dos fabricantes caiu de US$ 0,27 em 2022 para US$ 0,095 em 2025, jogando as quatro maiores empresas do setor no vermelho.
Pequim está agindo pra conter isso: pediu "esforços concertados" da indústria pra reduzir a superoferta e tentou criar (sem sucesso, por enquanto — o plano foi barrado por reguladores antitruste em janeiro) um fundo de US$ 7 bilhões pra fechar capacidade excedente de polissilício. A Associação da Indústria Fotovoltaica da China já projeta apenas 180-240 GW de nova capacidade em 2026, ante um recorde de 315 GW em 2025 — a primeira queda anual de instalações desde 2019. Menos guerra de preço lá fora significa painel mais caro chegando aqui.
/ Estados Unidos endurecem também
O movimento não é só brasileiro. Em 6 de agosto de 2026, a Casa Branca assinou uma proclamação criando novas barreiras comerciais para polissilício importado e seus derivados, com base em investigação da Seção 232. A partir de 4 de dezembro de 2026, módulos fabricados com células ou wafers importados não poderão ser vendidos nos EUA abaixo de US$ 0,38 por watt, além de uma tarifa adicional de 15% sobre derivados de polissilício. É mais um sinal de que o ciclo de painel cada vez mais barato, ano após ano, está no fim — em várias frentes ao mesmo tempo.
/ O que isso muda pra quem está no Sul de Santa Catarina
Santa Catarina já é o 6º estado em geração solar do país, com mais de 1,3 GW instalados e Florianópolis na liderança regional. O apetite por energia solar aqui não é dúvida — a dúvida de quem ainda não instalou costuma ser "agora ou depois?".
Os números de 2026 apontam pra um caminho: quanto mais se espera, maior a chance de pagar mais caro pelo mesmo sistema. Tarifa de importação subindo no Brasil, guerra de preço perdendo força na China e tarifas novas nos EUA formam um cenário em que o painel de hoje tende a ser mais barato que o de daqui a alguns meses — o oposto do que o mercado viveu na última década.
Isso não significa correr sem comparar orçamento, mas significa que adiar a decisão só "pra ver se baixa mais" deixou de ser a aposta segura que já foi.