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A isenção de impostos do painel solar tem prazo pra acabar: 31 de dezembro de 2026

16 de setembro de 2026por Lumie SolarChina, Brasil, Sul de Santa Catarina, Estados Unidos

A isenção federal sobre painéis solares importados vence no fim de 2026, e tarifas dos EUA contra a China já pressionam o preço global do módulo. Quem pensa em instalar tem uma janela que está se fechando.

/ Uma data que muda a conta do seu sistema solar

Em março de 2023, o governo federal zerou os impostos sobre painéis solares importados dentro do programa Padis (apoio à indústria de semicondutores). Essa isenção tem prazo de validade: 31 de dezembro de 2026. Depois disso, a carga tributária sobre os módulos — hoje em torno de 24% e que pode passar de 30% somando frete e seguro — volta a incidir. Isso não é rumor, está no desenho do próprio programa.

/ Por que o painel está tão barato agora

O motivo de dar pra comprar painel solar por um preço tão bom hoje é simples: a China produziu, em 2023 e 2024, mais módulos do que o mundo inteiro conseguiu consumir. Esse excesso de oferta derrubou o preço FOB de cerca de US$ 0,25/W para US$ 0,09/W. O Brasil sentiu isso na pele — em 2022, 99% dos módulos comprados aqui já eram importados, e o país virou o segundo maior cliente da China no setor, atrás só da Holanda, com 18 GW importados naquele ano. Fabricante nacional, segundo a Absolar, ainda sai até 50% mais caro que o produto chinês.

/ O outro lado: os EUA estão fechando a torneira

Só que esse cenário de fartura chinesa está começando a mudar — e não por acaso. Em agosto de 2026, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 15% sobre o polissilício chinês (a matéria-prima do painel), usando a Seção 232 da lei de comércio americana como justificativa de segurança nacional. É mais uma rodada de uma disputa que já vinha de tarifas de até 3.500% sobre painéis do Sudeste Asiático fabricados com componentes chineses. A China domina praticamente toda a cadeia do polissilício ao módulo pronto, e cada nova tarifa dos EUA tende a empurrar parte desse excesso de produção pra outros mercados — inclusive o brasileiro — mas também sinaliza que o ciclo de preço baixo não é eterno. Projeções do setor (Greener, Opis) apontam alta acumulada de 25% a 30% no preço dos módulos chineses ao longo de 2026 frente ao praticado no fim de 2025.

/ O que isso significa pro Sul de Santa Catarina

Santa Catarina é hoje o 6º estado do Brasil em potência solar instalada, com mais de 1,3 GW, e a geração distribuída — aquela que sai do telhado de casas e empresas — cresceu cerca de 2.000% nos últimos quatro anos no estado. Parte disso se explica pelo Decreto 233/2019, que isenta de ICMS estadual a micro e minigeração de até 1 MW. Ou seja: quem instala no Sul de SC hoje empilha três vantagens que não têm garantia de continuar juntas — painel importado ainda barato, isenção federal de imposto (Padis) e isenção estadual de ICMS.

/ A janela está se fechando, não fechada

Não é alarmismo dizer que o momento é bom: é matemática. Painel mais barato + duas isenções tributárias sobrepostas é uma combinação que reduz sensivelmente o payback do sistema. O que muda com o fim de 2026 é o primeiro pé dessa mesa: a isenção Padis. Some a isso a pressão de tarifas como a americana, que tende a puxar o preço global do módulo pra cima ao longo do próximo ano, e o quadro fica claro — quem está esperando "o preço cair mais um pouco" pode estar esperando o momento errado.

/ O que fazer com essa informação

Não dá pra controlar decisão de governo nem disputa comercial entre China e Estados Unidos. Dá, sim, pra simular hoje quanto custaria instalar energia solar na sua casa ou empresa com o preço e a tributação atuais, e comparar com o que aconteceria se essa simulação fosse feita só em 2027 — sem isenção Padis e com módulo mais caro. A conta muda bastante, e isso é justamente para não te pegar de surpresa.

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