Brasil freia o ritmo, China sobe o preço dos painéis e os EUA reduzem incentivo residencial. Entenda os três movimentos que estão desenhando o mercado solar em 2026 — e por que esse pode ser um bom momento pra simular seu projeto no Sul de Santa Catarina.
O mercado de energia solar está em um momento de ajuste em 2026, com sinais diferentes vindo do Brasil, da China e dos Estados Unidos. Pra quem está avaliando investir em energia solar aqui no Sul de Santa Catarina, entender esse cenário ajuda a tomar a decisão na hora certa.
/ Brasil: ainda crescendo, mas com o pé no freio
O Brasil chegou a 68,8 GW de capacidade solar instalada, hoje a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, com 25,3% de participação. A projeção é fechar 2026 com 75,9 GW acumulados — mas o ritmo de expansão está desacelerando: devem ser adicionados 10,6 GW no ano, um pouco menos que os 11,4 GW de 2025. Os investimentos também devem cair, de cerca de R$40 bilhões em 2025 para R$31,8 bilhões em 2026, o segundo ano seguido de retração. Mesmo assim, o país segue entre os maiores mercados solares do mundo, e a abertura do mercado livre de energia deve exigir até R$35 bilhões em novos equipamentos nos próximos anos.
/ Santa Catarina: o campo liderando a adoção
Aqui no estado, o setor rural tem puxado o crescimento: entre 2023 e 2024 foram quase 8 mil contratos assinados por produtores rurais adotando sistemas fotovoltaicos, um investimento que já passa de R$10,6 milhões, com apoio de linhas como o Financia Agro SC e o Pronampe Agro SC. Some isso aos altos índices de radiação solar da região Sul, e o retorno sobre o investimento aqui tende a ser ainda mais rápido que a média nacional.
/ China: painel pode ficar mais caro ainda em 2026
A China, que fabrica a maior parte dos painéis solares usados no mundo (e no Brasil), está reduzindo sua expansão: a expectativa é adicionar entre 180 e 240 GW de nova capacidade em 2026, bem abaixo dos 315 GW de 2025. O setor vive uma crise de superprodução — os fabricantes chineses somaram US$1,5 bilhão em prejuízo só no primeiro trimestre do ano. Em abril, o governo chinês eliminou a desoneração de 9% na exportação de produtos fotovoltaicos, e a expectativa do mercado é de reajuste de 20% a 30% no preço dos painéis ao longo do segundo semestre. Na prática: quem vai importar equipamento ou depende de painel chinês pode pagar mais caro daqui pra frente.
/ EUA: freio no residencial, força no setor utility
Nos Estados Unidos, o mercado residencial deve encolher 21% em 2026, depois do fim do crédito fiscal federal (Seção 25D) no fim de 2025 — sinal de como incentivo público pesa na decisão do consumidor final. Já o setor de grandes usinas segue forte: solar e armazenamento responderam por 82% de toda a nova capacidade elétrica instalada no país no primeiro semestre do ano.
/ O que isso significa pra quem está no Sul de SC
Juntando os três cenários, a leitura pro consumidor e empresário catarinense é direta: o crédito e o incentivo local pro setor rural continuam firmes, mas o custo do equipamento importado tende a subir ainda em 2026 por causa do movimento na China. Quem está considerando investir, esse pode ser um bom momento pra simular o projeto e travar o preço antes do reajuste.