A China acabou, em 1º de abril de 2026, com o incentivo fiscal que baratinava a exportação de painéis solares, e a bateria perde o benefício aos poucos até 2027. O resultado já aparece no preço dos kits vendidos no Brasil — inclusive no Sul de SC.
Desde 1º de abril de 2026, quem exporta painel solar da China para o resto do mundo não conta mais com um desconto de imposto que existia havia anos: a devolução de até 9% do IVA (o imposto sobre valor agregado chinês) sobre módulos fotovoltaicos foi cancelada por completo. Para as baterias usadas em sistemas de armazenamento, a régua é mais lenta, mas vai na mesma direção — o benefício caiu de 9% para 6% entre abril e dezembro de 2026, e desaparece de vez em 1º de janeiro de 2027.
Não é um ajuste cosmético. Segundo o setor, o fim do desconto deve encarecer o preço FOB (o valor do produto saindo da fábrica, antes de frete e impostos de importação) dos módulos em cerca de 9%. Somando isso a outras pressões que já vinham empurrando o custo pra cima — alta do alumínio e da prata, dois insumos centrais na fabricação de painéis e células, e a valorização do yuan frente ao dólar —, executivos do setor fotovoltaico estimam uma alta total nos kits solares de até 35% frente aos preços do fim de 2025.
/ Por que isso pega o Brasil em cheio
Diferente de mercados como os Estados Unidos, que vêm construindo capacidade própria de fabricação de painéis a força de tarifa e incentivo, o Brasil não tem essa proteção estrutural. Mais de 90% do equipamento usado no setor solar brasileiro — módulo, inversor, célula — é fabricado na China e importado direto. Quando o custo de saída da fábrica chinesa sobe, o Brasil sente quase sem filtro, porque não existe uma indústria nacional relevante segurando o preço por trás.
Isso significa que o efeito não é uma notícia distante: é repasse direto pra cotação que qualquer instalador brasileiro monta hoje. Kits que usam módulo e, principalmente, sistemas com bateria de armazenamento (ainda mais sensíveis, porque o desconto da bateria começou a cair agora mesmo, em abril) são os primeiros a sentir o reajuste.
/ O que muda pra quem tem ou pensa em energia solar no Sul de SC
Pra quem já tem sistema instalado, a notícia não muda nada na prática — o consumo que já está gerado, gerado está. O impacto é todo pra quem ainda não instalou.
Dois grupos merecem atenção redobrada agora:
Quem está com orçamento em mãos ou negociação em andamento. Se a proposta foi fechada com preço de módulo de antes de abril, vale correr pra formalizar e travar a compra — cada mês que passa, o fornecedor repassa mais um pedaço da alta chinesa pro preço final do kit.
Quem pensa em somar armazenamento (bateria) ao sistema solar. Como o desconto da bateria só desaparece de vez em janeiro de 2027, ainda existe uma janela — mas ela está encolhendo mês a mês, não é um prazo fixo e confortável como o de um incentivo que cai de uma vez.
Não é alarmismo: energia solar segue sendo, de longe, a forma mais barata de gerar a própria energia no Sul de Santa Catarina, mesmo com o kit mais caro do que era há um ano. Mas o momento de simular o investimento é agora, com os números de hoje — porque esses números tendem a piorar, não melhorar, nos próximos meses.