Desde 22 de agosto de 2026, a Aneel autorizou reajuste médio de 11,77% na Celesc, com 9,32% batendo direto na conta residencial e o kWh de baixa tensão chegando perto de R$ 0,76. Pra quem já gera a própria energia no Sul de SC, o aumento passa quase batido — pra quem ainda não, a conta ficou visivelmente mais pesada.
A Aneel aprovou reajuste médio de 11,77% para a Celesc Distribuição, em vigor desde 22 de agosto de 2026. Mas a média esconde a parte que interessa pra quem mora no Sul de Santa Catarina: consumidores de baixa tensão — a categoria que reúne residências, zona rural, pequeno comércio e pequena indústria, ou seja, a imensa maioria de quem tem (ou pensa em ter) painel solar no telhado — sentem 9,32% de alta. Já quem é atendido em alta tensão, principalmente indústria de grande porte, teve reajuste de 16,91%.
Na prática, o kWh residencial da Celesc está em torno de R$ 0,76. Não é um número abstrato: é o valor que define, mês a mês, o tamanho da conta de quem NÃO gera parte da própria energia.
/ Por que esse reajuste pesa mais do que os anteriores
Revisão tarifária da Celesc não é novidade — acontece todo ano. O que muda em 2026 é a combinação de fatores subindo ao mesmo tempo:
- A tarifa em si sobe 9,32% pra quem está em baixa tensão.
- A cobrança sobre a energia solar injetada na rede (o chamado Fio B) também segue sua própria escalada, prevista em lei, e em 2026 já corresponde a 60% do valor cheio do fio pra quem instalou sistema depois de 2023.
- O custo do próprio sistema solar também está em alta, puxado por tarifas americanas sobre polissilício chinês e pelo fim de incentivos fiscais na exportação de painéis pela China — temas que já tratamos aqui.
Ou seja: quem ainda não tem solar paga mais pela tarifa cheia. Quem já tem paga um pouco mais pela parcela injetada na rede. E quem está decidindo agora enfrenta um equipamento mais caro que há um ano. Três pressões diferentes, todas empurrando na mesma direção: instalar antes que o próximo reajuste chegue.
/ O que isso muda na prática pra quem mora no Sul de SC
Pra quem NÃO tem sistema solar, o efeito é direto: a conta de luz sobe cerca de 9% sem nenhuma mudança de hábito de consumo. Numa casa que gastava R$ 400 por mês, o novo patamar da tarifa já representa uns R$ 35 a mais, todo mês, pelo resto do ano — e tende a se repetir na próxima revisão, em 2027.
Pra quem JÁ tem sistema solar dimensionado corretamente, o reajuste tem efeito quase nulo na fatura principal, porque a energia que seria cobrada a R$ 0,76 o kWh simplesmente não é comprada da distribuidora — é gerada em casa. O que aumenta é só a fatia do Fio B sobre o excedente injetado, que é bem menor que a tarifa cheia.
Isso muda a conta do retorno do investimento (payback): quanto mais a tarifa da Celesc sobe, mais rápido o sistema solar se paga, porque cada kWh evitado da concessionária vale mais do que valia há um ano.
/ A janela que fica mais estreita
Reajuste de tarifa que sobe é bom argumento pra quem está economizando pra decidir depois. Mas o equipamento também está subindo de preço, puxado pelas tarifas dos EUA sobre insumos chineses e pelo fim do incentivo fiscal da China às exportações — como mostramos nos posts anteriores daqui do blog. Ou seja: esperar não travas nem a tarifa, nem o preço do sistema. As duas pontas só encarecem.
Pra quem está no Sul de Santa Catarina pensando em energia solar, o cálculo de 2026 ficou mais simples: cada mês de atraso custa dos dois lados — na conta de luz que sobe e no equipamento que também sobe.